11 de fevereiro de 2010

Monstro tímido

Dessa última passagem pelo litoral, uma das leituras que me restou foi A timidez do monstro, de Paulo Scott. Um mundo de ideias simples, configuradas sobre poemas curtos em sua maioria, mas não menos profundos. Dá para qualificar como uma obra de profundidade simples, bastante intimista, subjetiva, mas de compreensão não menos importante.
Isso, porém, me fez novamente desvelar meu anti-gosto por poesia contemporânea. Acho que sou parnasiano e não sei. O poema não precisa ter métrica plenamente estudada pra ser um poema, bastando que sua produção, dentro do sistema inserido de construção, traga representações aos leitores. Por isso que os poemas concretistas da metade final do século passado tiveram suas produções bastante estudadas. Distantes da ideia comum de produção textual, os concretistas batalharam por uma poema que envolvesse texto e imagem, causando suas catarses necessárias.
Não gosto da produção concretista, contudo. Comprei o livro de um autor português, chamado E.M. de Melo Castro, intitulada Antologia efémera. O autor transluce de uma poesia escrita para uma imagética, ferando significados aparentemente bem diferentes das primeiras produções. O que parece um neossimbolista torna-se um concretista monstruoso. Só não me decide por qual vértice: se pela grande construção textual ou pela falta de inteligibilidade de alguns textos.
De qualquer forma, gosto de lecionar poemas pela profundidade de significados contidos. Que confuso. Talvez haja em mim um monstro poético tímido, que não aflorou. Afinal, a timidez do monstro não se prende apenas à falta de expressões que ele tenha, mas à incapacidade de identificar aquilo que lhe pode ser o melhor.

Um comentário:

  1. entõa é o senhor que escreve no Lero Lero Generator né!? http://padrelevedo.hpg.ig.com.br/lerolero/lerolero.html

    UAHEUAHEAH

    é o daniel só pra tu saber :D uaeuaheuahue
    e bá sor, fiquei cego lendo isso! UAHEAUEAU

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