10 de abril de 2010

Justificativas para a mania dos vampiros

Em mais um lapso de vontade de comprar livros, adentrei a Saraiva do Praia de Belas ontem. Depois de muito pesquisar - e cansar a Bibiana, que recém saíra do trabalho -, vi um livro que cabia no meu bolso e de temática interessante: Imortal: contos de amor eterno. Li a contracapa e a maioria dos contos se voltam para a questão vampiresca. Isso me fez lembrar as apresentações de trabalho de meus alunos de 1º ano, sobre Literatura e Cinema, em que a maior parte resolveu fazer sobre a série Crepúsculo. Agora há motivos fortes para compreender.
No prefácio da obra, a autora P.C. Cast, famosa por suas histórias fantásticas, tece alguma teoria bastante subjetiva sobre a paixão do público leitor pela série antes dita. Num de seus argumentos, ela explora a questão da imortalidade como um processo de conscientização do adolescente que está se inserindo no mundo adulto, tendo em vista que sua necessidade de saber os porquês da vida extrapolam, muitas vezes, as respostas que o mundo tem a oferecer. Aí que nos deparamos com a insistente entrada de adolescentes no mundo das drogas, no confronto direto com seus ditos superiores, com a vontade incrível de fazer uma viagem ou de simplesmente se isolar dos pais. Após essa provação, o cidadão retorna - quando retorna - um homem de novos conceitos, pronto para ingresso à vida adulta. É uma aventura mítica que se instaura.
Lembro quando estávamos na escola e um colega me disse: "se eu pular do viaduto da Duque (Viaduto Otávio Rocha), eu não me quebro." Não satisfeito com a reação dos demais, foi efusivo: "tenho certeza!". Naturalmente, ele nunca tentou tal fato. Não que eu saiba, ao menos, já que faz horas que não nos falamos. O que interessa é esse transcendentalismo exacerbado que um cara de 16 anos buscou por um instante. Provavelmente, hoje em dia não teria tal reação, tal vontade ou até tal argumento. De qualquer forma, num período da vida, já se imaginou mais do que ser apenas o que a física expunha. Quando era menor, sonhava voar. Nunca num avião ou num paraglider: o corpo faria isso. Ao melhor estilo Super-Homem, inclusive. Superar fronteiras distantes, avançar pela estratosfera e não mais identificar pessoas quando olhar o mundo. Seria o mesmo que acessar o Google Earth no computador, mas ao vivo.
O tempo passou e não pude fazer isso na realidade. Uma pena. Ao menos nesses sonhos somos capazes de seguir adiante. O que P.C. Cast diz tem a possibilidade de aproximar essas questões entre os leitores e seus vampiros favoritos. Não podemos esquecer, no entanto, que tudo ainda faz parte de um universo mágico, da formação do nível abstrato do pensamento e que - (in)felizmente - não precisamos morder pescoços por aí.

Um comentário:

  1. E ai profº, o que tu tá achando do livro? Acho que tu não tá curtindo muito, hoje mesmo, quando te perguntamos se tu já tinha começado a ler tu disse que sim, mas fez uma cara de "não tô gostando muito". Porque tu sabe né, és muito expressivo!! hehe

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