27 de julho de 2013

Do túnel do tempo...

Conversando com uma queridíssima ex-aluna dos tempos de Canoas, revisitei este texto. Vale pela recordação dos tempos de Sévigné, não pela qualidade literária ou estilística. Era isso o que fazíamos quando estávamos no terceiro ano... :)

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Asas Da Realidade

Levantar de manhã e, muitas vezes, não ver o sol, apenas a escuridão da noite. Levanta-se cedo para continuar nossa rotina, permanecer na nossa realidade. Sair da cama, ir até o banheiro, fazer todas as necessidades. Sair, vestir-se, ir à cozinha, preparar um lanche, um café, um suco. Ouvindo os noticiários no rádio, lendo um jornal. Depois de tudo pronto, rumamos, todos nós, para um mesmo lugar: o colégio. Ao dar a primeira pegada na rua, sabendo que nunca mais faremos o mesmo percurso, um aperto no coração me corrói. Caminhando pela rua, as lembranças me são presentes, como se recém tivessem acontecido. Os desejos de “bom dia”, “boa aula”, nesses dias são mais presentes do que nunca. Ver que tudo isso está próximo de acabar, faz com que todas aquelas lágrimas conservadas durante anos para esse momento, comecem a brotar, escorrer-me o rosto. Esse dia trará nossa nova realidade.
Chegando ao colégio, nosso local de estudo, de trabalho, de amizades, de amores, a saudade passa a bater como se já tivesse acontecido. Entrando lá, o primeiro “bom dia”. Retribuímos, normalmente. Mas era a ultima vez. Subindo as escadas, percorrendo os corredores, lembro-me de cada passo dado aqui dentro. Desde o jardim A1, lá nos nossos princípios da vida, quando ainda tínhamos nossos 3, 4 anos de idade. Brincando pelos pátios, correndo pelos corredores como crianças que fomos e eternamente seremos. Buscando atravessar barreiras que nem sonhávamos que existia. Anos maravilhosos que se foram, e não voltam mais. Passando por todas as séries, atravessando o A2, o Jardim B, entrando no 1º grau, na 1ª serie, indo para a 2ª, passando para a 3ª, chegando na 4ª serie. Esses tempos que nos mostravam as primeiras brigas, os primeiros desafetos, mas que traziam a realidade de termos amigos, aqueles que nós sempre poderíamos contar. Nossas primeiras saídas com eles, indo a parques, indo a festas de aniversario, indo jogar futebol, indo na casa de um ou de outro jogar videogame. Nessa época, até nossos primeiros amores aconteciam, aqueles platônicos, em que você queria alguém que não lhe queria, que queria seu melhor amigo, cujo amigo queria uma outra, que era apaixonada por você. Chegava-se a apostar quem “namoraria” primeiro. A infância, fase maravilhosa, de descobrimentos, de energia, de inocência.
Parado em frente à nossa sala, olhando pela janela que dá ao pátio, observo o prédio do 1º grau. Mas agora, pensando na 5ª serie. Estávamos entrando na segunda fase do 1º grau. Primeira vez que tivemos aulas de matérias, cada matéria com seu professor. Primeira aula de matemática, de português, de ciências, de estudos sociais. Nosso primeiro contato com o descobrimento, de onde o homem saiu, como a Terra surgiu, nossas origens, nossos futuros. Desta fase, para a 6ª serie, desta para a 7ª. Nesse tempo, muitos de nós descobrimos a arte de beijar, seu gosto, sua beleza, sua sensualidade, seu medo, seu horror, seu nojo. É, nojo. Você lembra do seu primeiro beijo? Pois é, que coisa nojenta aquela língua do parceiro entrando em contato com a sua. Hoje, isso é a coisa mais maravilhosa que podemos presenciar numa relação a dois. Eram tempos cada vez mais novos, perguntas sobre sexo, sobre como beijar, como é o órgão sexual masculino, feminino. Quer saber como se beija? “Treine com uma maçã” – Quem não ouviu isso? Mesmo sendo de uma forma ou outra uma bobagem, testando numa maçã, você sentia o gosto do prazer, despertava cada vez mais à vontade de querer fazer aquilo. Depois de tudo isso, veio a 8ª serie, ultimo ano do 1º grau. Era, também, o ultimo ano de muitos de nós. Os pais já diziam para pensar em colégios novos, lugares mais fortes, pois a vida se tornaria vida mesmo, depois que o colégio acabasse. Foi um ano maravilhoso, despertava-se cada vez mais o sentimento pelo próximo. A amizade que nos rondava era cada vez mais firme, mais sólida. Ninguém esperava que tivessem mais do que isso. Pensávamos. Aquele ano pareceu-me passar depressa, pareceu tão fácil, normal. Chegando o final do ano, víamos que tudo não seria como era, naquele tempo. Nossa formatura do 1º grau foi, ao mesmo tempo, divertida e comovente, pois alguns de nós nos deixaram, mas vários continuaram. Foi lindo poder ver aquele pessoal chorando, comovido com a saída do amigo para outro lugar, em busca de novos horizontes, novos caminhos para o futuro. Abraçavam-se, beijavam-se, como se nunca mais fossem se ver. Porém, a única coisa que mudaria mesmo, seriam seus ambientes. Todos sabiam disso. Mas ver aquela pessoa, tão adorada, tão amiga, que esteve com você nesse tempo todo, foram cerca de 10 anos de convivência, tudo num mesmo lugar, no nosso mesmo céu.
Mais um ano passa, ingressamos no segundo grau. É nesse prédio que estou agora, nessas salas que já freqüentei, que todos os grandes momentos da vida aconteceram. Se não foram os melhores, ao menos foram os mais recentes, recordações mais vivas de nossas mentes. Bate para o primeiro período. Entrando na sala, junto de todos que estavam do lado de fora comigo, passo a me lembrar do 1º ano. Nossa, quanta gente nova! Numericamente, não lembro, mas que fariam parte de nossas vidas, isso sim, fariam com certeza. Naquele tempo, conheci muita gente nova, pois era uma turma nova, onde eu não conhecia muitos, mas os que conhecia sabia que eram meus amigos. Assim foi fácil se enturmar, logo nos primeiros dias, com as gurias que sentavam ao nosso lado. Mais tarde, isso foi generalizando, aumentando cada vez mais. Quando pude ver, já tinha conversado com todo o pessoal. Claro, formação de amizade ainda não havia acontecido, mas já era um início. No primeiro ano, começou o maior laço de amizade existente entre todos nós. Já estávamos mais maduros, não pensávamos mais como crianças, mas como adolescentes em busca de nossas conquistas, de permanecer com tudo o que tinha de bom, melhorar cada vez mais. Uma realidade que atormentava nossos pensamentos passou a existir entre nós: as drogas. Alguns de nossos amigos, que haviam passado por isso, ou estavam passando, não eram mais os mesmos. Isso acabou afastando alguns, atormentando seus pais, deixando até os amigos desgostosos com suas presenças. Houve quem soube livrar-se desse problema. Há quem permanece até hoje. Mas com isso, também pudemos aprender as conseqüências, os problemas, tudo que envolve esse tipo de coisa. Coisa, isso mesmo. Droga só pode ser tratada como coisa.
Na troca de período, já estávamos conversando sobre como foi nosso 2º ano. Nossa turma estava formada, continuaria até hoje. Mesmo existindo muitos grupos subdivididos dentro de nossa turma, sabíamos que sempre fomos unidos. Ou pensávamos. Esse ano foi de muita luta para alguns, momentos em que amigos precisaram ajudar, de uma forma ou de outra, seu próximo. Muita gente teve seu ano comprometido por se deixar relaxar nessa temporada. Muitos, em relação aos outros anos, pegaram dependência. Porém, muita coisa acontecia nesse ano. Histórias de sexo, drogas, acontecimentos constantes na vida de alguns. Amor nunca foi uma palavra predominante entre nós, mas a cada dia que se passava, podiam-se ver casais rodando nossa sala de aula, a sala dos outros. Acho que, no grupo em que sempre permaneci (e permanecerei eternamente), amizade sempre foi e sempre será a maior constante entre nós. Não vejo muitas perspectivas de mudança, pelo menos agora. Apesar de ter alguns de nós que contavam altas histórias de relacionamento, nunca nos deixamos de lado. Não que os demais deixassem, mas nunca permitimos que nosso parceiro estivesse em primeiro plano, relacionado a nós.
Chega a hora do recreio. Última vez que desço até o bar da escola, a fim de comprar algum lanche. Um prensado, um cachorro-quente, uma torrada? Não sei, mas será o último que comerei. Chego lá, converso um pouco com o Paulo, mas logo saio, o movimento já aumentava. Na saída do bar, olhei para dentro. Aquele lugar cheio, berros para todos os lados, Vanderlei pedindo organização a todos. Suspirando saia de lá, olhei para a esquerda: o corredor da 6ª série, futuro do colégio. Olhava para a escada, gurias conversando. No corredor, no caminho que dava acesso ao pátio, a gurizada da 8ª série, da 7ª, do 1º ano. Riam, conversavam, gargalhavam, berravam. Era tudo a última vez. Fui até o pátio, sentei-me no banco da primeira galeria do ginásio, junto ao pessoal. Uns com os olhos fixos no chão, outros conversando animados. Eu com meu lanche. Ao tocar o sinal, naquela hora, acho que todos nós tivemos a mesma impressão: era o último dia de aula. Nós, alunos do último ano do colégio. De repente, ouve-se um suspiro. Logo outro. Viro-me e vejo duas amigas se abraçando. Agora sim, era o início do fim, fim de uma história que iniciou 13 anos atrás. Em seguida via-se um grupo junto, olhando com caras de surpresa, de medo, de insegurança, de inocência. Eu estava entre eles. Tentava esconder os olhos vermelhos, já lacrimejados, mas era difícil. Aquela cena comovia demais meu coração. Consegui me conter. Pelo menos nessa hora.
Soou o sinal, era hora de voltarmos para sala. Alguns chorando, outros rindo, demais sérios. Eram os três últimos períodos. Logo, entramos em aula. Nesse tempo, resolvemos relembrar todo nosso ano, esse ano, no ano 2000, éramos os formandos do último ano do século, início do novo milênio. Centenário de nosso ambiente, a escola. Era o ano em que o Sévigné completava 100 anos. No início do ano, caras novas, iam entrando de tempos em tempos. Até em agosto entrava gente. Novos amigos? Não sei. No mínimo, seriam novas pessoas que iriam desfrutas de nossa hospitalidade, de nossa amizade, de novos seres humanos. Foi um ano de muita dificuldade para muitos, dentro dos estudos, incluindo-me entre estes. Talvez esse ano fique marcado em todos nós por termos feito das colas nossos estudos, atingindo nossos objetivos. Trapaceamos, é verdade, mas todos sabiam e ninguém impediu nossa conquista. Foi um ano de muitas revelações. Pessoas que pensávamos não ser de um jeito, eram assim. Este ano, com certeza, foi o ano em que todos nós soubemos expor nossos sentimentos, explicitar essas marcas que temos dentro de nossos corações que fazem as pessoas humanas como são. Brigamos e nos ajudamos, colocamos tudo o que pensávamos a flor da pele, nunca hesitamos em dizer “sim” ou “não”. Mostramos ser homens e mulheres de verdade ao expor nossos pensamentos, ao dizer o que vinha na cabeça. Mostramos que, definitivamente, não éramos mais crianças. Em muitas atitudes, seremos até o fim da vida, mas em pensamento, nunca mais seremos assim. Esse foi o ano de completa união, se não entre todos, entre a grande maioria.
Soa o sinal, é o último período. Acho que todos haviam assimilado bem que era o final. Fim do colégio, não o fim de nossas vidas. Mais 50 minutos e seríamos candidatos a uma vaga num vestibular. Mais uma vez, junto à janela, olho o pátio, mas não antes de olhar o céu, ver aquele azul claro maravilhoso, sem nuvens, tendência de um dia perfeito. Observando o horizonte, o que cada um de nós seriamos. Advogados, médicos, professores, administradores, economistas, artistas, biólogos, matemáticos, mas acima de tudo, homens e mulheres. No pátio, uma turma de 1º ano jogando futebol. Era aula de Educação Física. De repente, um dos garotos pela a bola, dribla 4, 5, 6 colegas e faz o gol. Queria poder ter feito isso, mas nunca tive habilidade para tal. Agora nem tempo tenho mais. Mas um dia, se Deus quiser, voltarei.
Entramos para o último período. A passos lentos, entramos sala adentro. Muitos cabisbaixos, outros normais, como se fosse um dia como outro qualquer, mesmo sabendo que não seria assim. A professor discursa, diz o quanto foi bom trabalhar conosco, ter-nos como alunos. Logo, chega a coordenadora, emocionada. Soltando lágrimas, ela fala, discursa, faz com que cada um de nós deixe escorrer seu choro. Ninguém teve vergonha, mostraram o que realmente eram: humanos. Em seguida, se ouviu o choro desesperado de uma amiga. Por traz de mim, sinto alguém me cutucar. Um amigo, chorando, sem mover os lábios, abre os braços e os envolta por detrás de mim. Encosto minha cabeça no seu ombro e choro também. Quando me separo dele, olho para os lados e vejo aquela multidão. Multidão de pessoas? Não. Multidão de amizade, de amor, de tristeza, de agonia, de desespero, de saudade. Era o fim. Faltavam poucos minutos. A professora despede-se de nós, deixa-nos em sala de aula, curtindo nossos último momentos. Soa o sinal. Ficamos em aula. Passavam as pessoas, olhavam para dentro de nossa sala, viam-nos abraçados, chorando, emocionados. De repente, um aplauso. Logo em seguida, outro. Assim foi indo. Quando ficamos atentos a isso, uma multidão nos olhava, alguns sorrindo, outros chorando, muitos mesclando ambas coisas. Acho que eles notaram o quanto nós éramos importantes para nós mesmos. Assim, começamos a sair. Eu ainda não havia arrumado meu material, ainda deveria fazer isso. Todos saíram. Sobraram algumas almas além de mim. Eles foram saindo, fiquei lá dentro. O último que saia, antes de desaparecer definitivamente, questionou-me: “Não vais?” - respondi-lhe que fosse, eu já iria. Mas não foi o que aconteceu. Sentei-me na classe, fitava os olhos em meu caderno, lembrava cada vez mais de todos os momentos em que passamos juntos. Folhava o caderno, via a matéria de biologia, as Leis de Mendel; passava pela matemática, deparei-me com as pirâmides; passei pela química e vi a cinética; física, encontrei a queda livre; historia, achei as revoluções chinesa, cubana, queda do socialismo; português, vi uma das matérias que mais odiei, o período misto. Assim foi. Levantei-me, olhava para o quadro negro. Procurei um giz. Encontrei. Um giz branco. Não hesitei em escrever o que me veio na cabeça naquele instante:

Asas da realidade
Levante-me cada vez mais e mais
Mostre-me um caminho para ser
Livre, eternamente com vocês
Acho que encontrei esse caminho
A cada dia, crescendo forte
Mas ainda há muito para dizer
Além de muito o que fazer”


Agora todos nós nos perguntamos: Realmente valeu a pena? Internem-me caso eu diga que não. Claro que valeu, e muito. Descobrimos o real sentido da vida, descobrimos que sozinhos não somos ninguém. Descobrimos que a cada dia que passar, teremos que mostrar a nós mesmos o que somos, a que viemos, o que seremos. Agora, somos futuros universitários, primeira fase de nossas vidas termina aqui. Começaremos tudo de novo, a partir de agora. Para mim, escritor dessa crônica que trouxe nossa realidade, pôde descobrir uma coisa que levarei comigo até os últimos dias: Homem que é homem chora, não prende o choro, mostra e diz com orgulho que pode fazer parte da trajetória de vida de alguém.

11 de setembro de 2011

Sobre as Caras Pintadas

Segue abaixo o texto do querido Johan sobre o evento do próximo dia 20/09, em Porto Alegre:

Quem nunca trocou de canal na hora da propaganda eleitoral obrigatória e disse: Ai, era só o que faltava, escutar esse mentirosos dizendo sempre a mesma coisa, promesas que nunca se cumprem, são um bando de ladrões, isso sim. Pois é, todos nós já fizemos isso, reclamamos e reclamamos, mas quando surge qualquer oportunidade de protesto e demonstração da indignação, dizemos: Ai, nem vou, nunca faz a menor diferença.

Talvez não mude muita coisa, mas uma coisa é certa, ir lá, protestar, mostrar a indignação é ,com certeza, melhor do que simplesmente NÃO FAZER NADA e, ficar em casa reclamando!

Então junte-se a nós, neste movimento "Caras Pintadas" dia 20, as 9hrs na Praça dos Açorianos, para que mostremos que não somos hipócritas e não estamos satisfeitos com os impostos e corrupção descarada que vemos todos os dias na televisão. Não fique em casa reclamando, vamos lutar pelos nossos direitos! Se pessoas, jovens, no passado protestavam mesmo sabendo que iriam ser torturados(e eram) protestavam sem medo das consequencias, porque nós, que NÃO vamos ser torturados não protestamos?

Já passou da hora de mostrarmos aos nossos tão queridos ladrões que ESTAMOS INSATISFEITOS SIM! Vamos parar de sermos acomodados e MOSTRAR INDIGNAÇÃO!

Junte-se a nós nessa causa popular! Não fique em casa só reclamando!



Sugiro que deem uma olhada nesse texto espetacular da nossa querida Adriele:

http://adrieleas.blogspot.com/2011/09/caras-pintadas-tambem-podemos-ser.html



Grato, Johan!

14 de agosto de 2011

Ópera Rock: Trailer de Moulin Rouge, da Ópera Rock ISL!

Ópera Rock: Trailer de Moulin Rouge, da Ópera Rock ISL!: "Fechamos cinco meses de trabalhos. Apresentações, reuniões, definições, danças, ensaios e muita, mas muita diversão! A Ópera Rock ISL está s..."

7 de agosto de 2011

Ópera Rock: Convites, cartazes, ARTES!

Ópera Rock: Convites, cartazes, ARTES!: "Então, já é tempo de conversarmos sobre a 'Arte' da divulgação. Sim, eu sei que todos nós estamos ocupadissímos com nossas próprias funções,..."

2 de agosto de 2011

Ópera Rock: Final dos ensaios de férias!

Ópera Rock: Final dos ensaios de férias!: "Durante a última semana, nos dias 28 e 29/07, os integrantes da Ópera Rock ISL se reuniram para alguns reparos na dinâmica do enredo. Como..."

30 de julho de 2011

Ópera Rock: Prévia de amanhã!

Ópera Rock: Prévia de amanhã!: "E encerraram-se as férias do Ópera Rock ISL! Amanhã mesmo o grupo retoma suas atividades ensaiando no Jardim Botânico – onde iriam ensaiar n..."

20 de julho de 2011

Ópera Rock: Ensaio com o corpo de dança

Ópera Rock: Ensaio com o corpo de dança: "Mesmo parecendo que a chuva tenha assustado alguns integrantes do nosso Ópera Rock, os ensaios de ontem foram movimentadíssimos! Junto com a..."

17 de julho de 2011

Ópera Rock: Ifigênia Em Tauris

Ópera Rock: Ifigênia Em Tauris: "Ontem o Ópera Rock ISL fez mais uma de suas investidas indo assistir a Ópera Ifigênia Em Tauris no cinema do Bourbon Country. Gravada dir..."

Ópera Rock: O Moulin Rouge

Ópera Rock: O Moulin Rouge: "Tendo chegado a Paris para escrever sobre liberdade, verdade, beleza e amor, Christian, um romântico escritor, se depara com as mais bel..."

Ópera Rock: Ópera do Malandro

Ópera Rock: Ópera do Malandro: "No final de junho, novamente a Ópera Rock ISL investiu numa visita ao teatro. Agora, o local era mais tradicionalmente conhecido, a Casa de..."

Ópera Rock: Dia 04/06 - Primeiro ensaio

Ópera Rock: Dia 04/06 - Primeiro ensaio: " No dia quatro de junho de 2011, último sábado, foi realizado o primeiro ensaio do elenco da Ópera Rock. O trabalho da equip..."

Ópera Rock: RETROSPECTIVA ÓPERA ROCK

Ópera Rock: RETROSPECTIVA ÓPERA ROCK: " 1º encontro – Apresentação do projeto O que é Ópera Rock? É um espaço para convergência de saberes e dúvidas, ..."

16 de fevereiro de 2011

Crônicas cariocas: A cantoria é de quem?

Quando migramos para outros estados, os nativos têm o hábito de nos dizerem que cantamos ao falar. Aquele povo boêmio, que antigamente eram os frequentadores de um Bom Fim rodeado de figuras ímpares, imortalizados pelo Magro do Bonfa, personagem do André Damasceno, tem uma certa cantoria na fala. Os demais, no entanto, parecem tão comuns quanto qualquer falante que não tenha grandes influências de culturas mais enraizadas.
No Rio de Janeiro sim as pessoas falam cantando. Ao pedirmos informações sobre onde ficava o bar Garota de Ipanema - local épico, frequentado por Tom e Vinícius, de onde (diz a lenda) saiu a composição pra uma das músicas mais reconhecidamente brasileiras que existe -, o dono de um quiosque na Praia de Ipanema pediu a um auxiliar que o ajudasse a se localizar. Quando o outro começou a falar, algumas vogais, principalmente as fechadas, como /o/ e /u/, eram pronunciadas com maior acentuação ou produzidas mais ao fundo da boca, diferentemente do que julgamos mais comum, proposta ao contrair os lábios.
Com isso, a sonorização se tornou mais leve, ao mesmo tempo que dotando um ritmo constante: som curto, som curto, som longo, som curto, som curto, som longo. A ritmia parece muito associada ao canto de um frevo ou outras músicas tradicionais nordestinas. Soma-se a isso o famoso chiado, ao pronunciar o /s/, e o ronronar dos /r/. Assim, por mais natural que para eles isso seja, para quem vê de fora é uma atmosfera linguística totalmente diferente, nova, musicalmente aceitável.
Claro que é possível que pensem algo parecido em relação a nós. Mas os vários Magros do Bonfá já não parecem tão constantes como outrora - ao menos não os tenho escutado com constância. A nossa musicalidade, na verdade, parece muito com uma partida de futebol, em que o narrador destaca cada quadro que aparece num único lance - nossa pronúncia, independentemente de tudo isso, apenas caracteriza as inúmeras variações linguísticas que há no país, evocando toda a riqueza cultural nele disposto.

13 de fevereiro de 2011

Crônicas Cariocas: A cidade turística

Sempre reconhecemos pela mídia o Rio de Janeiro como a cidade maravilhosa. Lembro-me que há anos penso nisso como um exagero, já que sempre se transportou uma imagem com um determinado fim. Nos últimos tempos, acompanhamos a situação das favelas cariocas e as diversas ações do BOPE, inclusive representadas em filme - ficcional - sobre a realidade da polícia, do tráfico e dos morros. Agora, no entanto, fora comprovada a tão bem vista questão do turismo.
Cidade muito bem "explicada": várias placas indicativas, pessoas bem informadas, um número gigante de estrangeiros em busca de informações sobre a cidade. Para isso, é necessário ter informação. Mais: falar inglês. Muita gente fala essa língua por aquelas bandas. Quando estivemos na bilheteria para pegar o trem ao Cristo, os atendentes respondiam com a maior naturalidade as perguntas de holandeses, chineses, franceses e o que mais havia. Cidade preparadíssima, nesse quisito, para receber a Copa do Mundo.
Além disso, as paisagens naturais são fantásticas: Cristo, Pão de Açúcar, trilha da Urca, praias de Ipanema, Copacabana, Leme foram alguns dos lugares visitados. Todos muito bem cuidados e com a criminalidade em baixa. Não sei se é efeito das polícias pacificadoras ou se é o distanciamento dessas regiões que traz essa facilidade - afinal, tudo isso fica na direção da zona sul. O centro da cidade também é razoavelmente bem conservado, muito mais do que São Paulo, por exemplo. Os prédios históricos não são pichados ou sujos, mas conservados. Cada local contém policiais, mas não muito diferente do que vemos em Porto Alegre, creio até que em mesma quantidade, proporcionalmente.
O lado negro dessa história não foi visto com intensidade, mas a passagem do aeroporto do Galeão até a praia de Copacabana passa pela linha amarela, totalmente vedada por paredes de vidro, por dois motivos: mau cheiro e tiroteios. Já que ainda não fora possível resolver o problema da criminalidade nos morros por completo, o jeito foi isolá-los de certas zonas. Complicado isso, tendo em vista que as pessoas de bem acabam banidas. Em todo o caso, a criminalidade na zona baixa.
Ao ficar nessa situação oposta entre crime e turismo, esses dias de viagem mostraram que a cidade do Rio de Janeiro está muito bem. Não vivo no Rio, não sei como é o cotidiano, mas para quem a visita ainda pode ser vista como cidade maravilhosa, pois há o que se desfrutar naquele ambiente sem se preocupar necessariamente com um assalto ou uma bala perdida que possa ocorrer.

11 de fevereiro de 2011

Crônicas cariocas em breve!

Já fazia um bom tempo que não postava novamente. É um péssimo hábito: escrevo uma vez, noutra hora já fico pensando no que escrever - saio da frente do pc e não mais o faço. Tudo bem, isso um dia irá mudar. Um dia.
Desta vez, porém, mais motivos trancaram os escritos. Mal fiquei em Porto Alegre desde a última vinda do litoral. Parti novamente para Atlântida Sul e, mal tendo parado em Poa, fui ao Rio de Janeiro. Foram quatro dias muito intensos e de novos conhecimentos a serem traçados, reconfigurados e expostos nesse blog. Portanto, a partir das próximas postagens, teremos as Crônicas cariocas aqui expostas.
Além disso, estou no 12º livro de leitura das férias. Li obras sobre as quais nem escrevi aqui, mas ainda pretendo fazê-lo - caso o esquecimento não perturbe qualquer movimento na hora da digitação. O mais curioso é que, nesse momento, estou lendo o Gênesis. Não, não estou relenfo aquela obra sobre o que falei no final do ano retrasado, mas o da bíblia mesmo. Afinal, os mitos fundadores partem da mesma premissa que há nesse texto: não saber como tudo começou, ritualizar sobre uma determinada história e difundi-la através dos tempos. Assim os mitos permanecem e se recriam. Para tanto, ler essa obra e comparar com Caim, do Saramago, por exemplo, torna-se muito útil.
Ainda não virei um crente, se isso te preocupou.
Nos próximos dias, os textos seguirão.

27 de janeiro de 2011

Doutor Miragem

Em diversos momentos de nossas vidas, um lapso nos ocorre: o que foi aquilo que vi? O que é isso que tenho em mãos? O que eu sou? O que é o que me roda? Nunca reparamos, no entanto, que possivelmente estejamos nos preocupando demais com aquilo que fazemos ou temos e deixamos de nos perceber.
Em Doutor Miragem, um dos melhores livros do Scliar que já li, um médico recém formado, após toda uma história de dificuldades para chegar ao patamar em que se encontrava, tem a possibilidade de finalmente ser alguém na vida. Afinal, sua infância e adolescência foram cobertos de dificuldades, de uma doença que quase o matou num trajeto de caminhão com o pai, dificuldades financeiras, amorosas. Quando é enviado a Piraí para ser o único médico da cidade, torna-se monstruoso, suprassumo, colocando suas ações e suas vontades à frente de tudo.
Fazemos por merecer aquilo que nos é imposto. Afinal, todos os dias temos atitudes que geram nossos desejos e a vontade de seguirmos determinado caminho. Quanto mais provamos os sabores que cada felicidade e cada tristeza nos proporciona, conhecemo-nos ainda mais. Assim, o caminho do protagonista da história se fez, cheio de percalços que dificultaram sua vida, mas para uma redenção ao final. Redenção essa que não necessariamente é prazerosa, mas segue um determinado desejo ambicionado pelo personagem desde o início da narrativa: ter sobre si o foco dos holofotes.
Nós queremos ter o holofote voltado pra nós mesmos? Quem sabe supomos que isso nos traga um laço de sentimentos bons. Não nos esqueçamos, no entanto, que cada movimento nos representa, mostra o que realmente somos. Mesmo que queiramos que nos vejam ou que saibamos o que é cada coisa ao nosso redor, precisamos ter a perfeita noção do que realmente somos e do que queremos.

Minha primeira vez com Maigret

O primeiro livro que li no litoral foi Maigret e o sumiço do Sr Charles. Estava pensando por qual obra começaria e cheguei à conclusão que um romance policial seria o mais divertido para começar. Afinal, como já fazia alguns dias que lia pouco, o melhor foi retomar por uma história mais instigante. E felizmente deu certo!
Foi a minha primeira vez com Maigret. Não conhecia exatamente como eram as obras do George Simenon, pois só havia lido fragmentos, nunca um texto completo. Assim, comecei a leitura do texto, e a chegada da misteriosa esposa do homem desaparecido já tornou o livro instigante: uma mulher que vivia bêbada, sem qualquer laço com a sanidade, acusa o desaparecimento do marido. O investigador desconfia, mas vai atrás das informações dadas. Como todo bom livro policial, o protagonista não investiga o crime meramente, mas todo o universo dos personagens envolvidos: o que fazem, o que são, a quem devem, etc.
O fim da história será omitido, pois acho que todos deveriam ler um pouquinho de Simenon. De qualquer forma, o texto não chega a ser totalmente surpreendente, mas a leitura é tão gostosa que o final deixa de ser o mais importante. Saber quem é o assassino e por que isso ocorre torna-se secundário - apesar de todos querermos saber o que aconteceu afinal. Ainda assim, toda a aventura mental das personagens destaca um pouquinho do mundo que temos à disposição: loucuras doentias, sanidades maleáveis, falta de imposição da verdade. De tudo aparece.
Foi minha primeira vez com Maigret e já quero a segunda. Tenho em mãos As férias de Maigret, mas ainda não sei quando o lerei. De qualquer forma, espero qu seja uma leitura deliciosa, bem como foi a primeira. No mais, passarei boa parte da obra investigando quem será o assassino e a que se devem os motivos de tais crime. É uma ótima leitura de férias.

24 de janeiro de 2011

De volta ao planeta...

Retornei de viagem no último sábado. Resolvi, no entanto, escrever apenas hoje, visto que ainda digeria as cinco leituras realizadas na última passagem pelo litoral. E foram realmente muito boas. Realizei duas substituições: li "Férias na neve", de Emmanuelle Carriére, e uma coletânea de contos do José Cândido de Carvalho, no lugar de "A verdadeira natureza" e "Sanga menor".
De volta à cidade, um pouco menos branco, mas com um bom número de leituras a mais. Pensei que não conseguiria ler tudo nesses dias. Propus as cinco leituras, mas crendo em três ou quatro. Ainda assim, o objetivo atingido poderia ter sido aumentado, caso não existisse mais nada a fazer pelo litoral... hehe As substituições foram de muito bom grado, pois a cada texto soube prender o leitor a sua maneira.
Nos próximos posts, aparecerá um pouco sobre cada um desses livros. Foi de se pensar em muita coisa, além de reavaliar algumas situações sobre as leituras dos alunos, inclusive. Acho que pra 2012 terei ainda outras mudanças, mais além das que já teremos nesse ano letivo.

16 de janeiro de 2011

Dos calores e das leituras

Sol de rachar. Quando escuto na rádio a temperatura, apontam 36°C. Quente. Muito quente. Não sou dessas pessoas que conseguem ler de qualquer forma: se a temperatura não ajuda, não consigo me concentrar. O jeito é procurar outras atividades que não me faça parar e me permitam ao menos não me concentrar tanto pra chegar ao regozijo.
Assim, faz dois dias que não leio. Terrível isso! Como ficam minhas postagens? Minhas resenhas? hehe De qualquer forma, assim que for possível, as leituras se reacomodarão. Parto para o litoral amanhã com cinco leituras na bagagem. Espero trazê-las todas prontas, apesar de já anteceder problemas no caminho para tal. Levo Doutor Miragem, do Scliar; A verdadeira natureza, de Alice Hoffmann; Sanga menor, de Cintia Lacroix; Meninos valentes, de Patrick Modiano; e, para me agradar com leituras de mistério, Maigret e o sumiço do Dr. Charles, de Georges Simenon.
Espero que os dias de calor de lá sejam regados a momentos com ventos - isso se uma chuvinha não quiser dar sinal de vida. Assim, as possibilidades de atividades externas são menores e poderei me concentrar nessas leiturinhas edificantes. Espero que São Pedro, ao menos dessa vez, esteja ao meu lado e colabore pra que eu consiga terminar meu curto objetivo de 20 livros nessas férias.

15 de janeiro de 2011

A pintura e o descritivismo

Após a leitura da obra Homem Comum, de Philip Roth, deparo-me com uma questão muito curiosa para os apreciadores da arte: qual seria a pintura ideal para a visão? Aquela coberta de detalhes, que valoriza as formas reconhecidas, como uma Monalisa, ou a pintura mais abstrata, recoberta de sentidos inconscientes, como a produzida pelos modernistas?
O Homem Comum de Roth é um ser que falecera, mas que buscou durante a vida explicações sobre sua própria existência e que, desde pequeno, estabeleceu contato com a morte. Há vários flashes no decorrer da narrativa: a relação com o pai, o seu trabalho na relojoaria, a relação com seu irmão Howie, com as três esposas, com as amantes, com os filhos. Cada um tem seu espaço distinto no decorrer da narrativa, permeada de detalhes que tornam o texto, em certo momento, bastante denso e pouco fluente. Ainda assim, é uma obra que destaca a natureza do homem e sua relação com seus medos, principalmente quando se refereàs perdas.
O protagonista da história, quando idoso, vai para uma comunidade litorânea frequentada apenas por aposentados. Visto que a morbidez do local não é pequena, resolve dar aulas de pintura aos moradores. Assim, redescobre-se útil e ajuda aqueles convivas que não tinham maiores atividades durante o dia. Aí entra a pergunta feita inicialmente no texto: numa de suas aulas, ele pede que os alunos interpretem a natureza morta (frutas, xícara, bule) e façam suas telas. Ao verificar a produção de cada um, percebe que algumas "bizarrices" acontecem, alguns fraquejam, outros desejam abstrações. É difícil delinear um mesmo raciocínio para todos os presentes. De qualquer forma, a pintura solicitada pelo personagem é a de formas razoavelmente fixas, bem como o faz o narrador, ao descrever com tantos detalhes cada elemento do texto.
Se uma produção artística dotada de detalhes é o que melhor faz a mente de quem a vê, um texto como o de Roth possivelmente também o fará, já que cada elementos exposto é visto com uma série de termos que o elucidam. O leitor deve estar preparado para enfrentar esse tipo de situação, pois a cada movimento da narrativa, um novo detalhe está colocado. Cabe a cada um desdobrar a narrativa - e a nossa cabeça, para filtrar todas essas informações.